DAY 0
As coincidências tem destas coisas, no dia de Páscoa, coincidindo com uma data muito especial para mim, calhou a saída do Porto em direcção ao Aeroporto militar de Figo Maduro.
O Almoço e a tarde do dia 4 de Abril(Pascoa) foi uma confusão de emoções que honestamente não consigo descrever. Ter todos os meus queridos na mesa, estar em clima de plena harmonia e paz e saber que daí a 24 horas estaria do outro lado do mundo sem a certeza de conseguir comunicar com eles. Honestamente, Afectou-me.
Hora da Partida do Porto, 21H00 saio de casa, preferi que fosse o meu a pai a levar-me à concentração com o pessoal do Norte, mas o meu irmão veio e o tio manel também…. Fosse lá eu desistir e sempre eram 3 a empurrar-me para dentro da carrinha….
A viagem correu muito bem e lá ganhei uma aposta ao Lemos que foi mais fácil que limpar …. Vocês sabem o quê.
Fomos o 1.ºs a chegar ao Aeroporto, supostamente o check in seria as 2H e chegamos perto da 1H. A conta gotas começou a chegar o resto do pessoal da PSP e às 2H00, estávamos todos reunidos e à espera que nos entregassem os Passaportes. Começamos a estranhar o pessoal da GNR ainda não ter chegado, mas achamos que poderiam vir todos juntos e mais perto da hora de voo. Estas horas de espera foram de facto muito chatas de passar. Principalmente para os familiares de alguns colegas que achavam(como nós) que cerca das 3H começaríamos a tratar dos pormenores e sair da sala de espera e assim libertar os “não viajantes”.
3h, nada, 4h, nada 4h e pico, chega a GNR, 4h30, primeira chamada do pessoal, 5h segunda chamada e passagem no ponto de controlo com a mala de mão(voltamos à sala para esperar pelo senhor ministro).
Nesta fase começavam as TV’s a fazer entrevistas mais ou menos emocionadas e uma das frases na noite foi do Jorge
-“Ó Monteiro, arranja-me aí uma criancinha que assim sou entrevistado” (o que alguns gajos fazem por 5 minutos de fama…)
Lá chegou o sr. Ministro e seguiu-se uma ensonada mas calorosa despedida ao pessoal que ia para Timor Leste, PSP, GNR e um elemento do SEF.
6H45 - Hora de embarque no avião e da tradicional sessão de bacalhaus à porta, seguramente eram mais de 20 pessoas para cumprimentar.
Cerca das 7H15 estávamos todos instalados nos nossos exíguos lugares, quando o comandante comunica
“não iremos levantar de imediato, porque estamos à espera a qualquer momento de autorização para sobrevoar o espaço aéreo da Arábia Saudita. Estamos à espera desta autorização desde ontem e pode chegar a qualquer momento…”
%#$&#@ … Bonito
Depois de quase 3 horas sem fazer absolutamente nada, em que quase gastei a restante bateria do MP3, lá levantamos voo com destinos às Maldivas….. Mas para fazer escala técnica e troca de tripulação. O tempo de voo restante que aparecia no monitor (cerca de 10 horas) desmotivava qualquer um e eu não era a excepção.
Por esta altura e como achava mesmo que não tinha paciência para o resto da viagem, lembro-me de tomar duas pastilhas que a minha mãe me deu para dormir e tentei aterrar…
(espaço temporal desconhecido)
Lembro-me novamente de forma vaga de sair do avião nas Maldivas(Male), de ir comer qualquer coisa e regressar novamente ao avião…
(espaço temporal desconhecido)
Acordei novamente no avião da Air Italia, com nova tripulação a bordo, com uma refeição à frente, daquelas de chorar por mais…(de chorar mesmo, porque aquilo era intragável) e quando olhei para o monitor informativo, faltavam pouco menos de 3 horas para aterrar…. Do mal o menos, há espaços em que temos brancas que são fantásticos, não há?
Quase no fim da viagem(a chegar a Dili, acho eu) decidi trocar a farda que trazia e vestir um pólo novinho porque estávamos avisados do calor e foi o melhor que fiz.
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